Direito a Cidade

Roosevelt Livre #20 terá apresentação de documentários

Além da aula pública “SP em movimento: experiências de luta pelo direito à cidade”, a vigésima edição do Roosevelt Livre terá a apresentação de dois curtas, os documentários “Recife, cidade roubada” e “Descascando a superfície”. Você já confirmou presença? Clique aqui e aproveite e convide os amigos.

Confira a sinopse:

ocupe-estelita (1)Recife, cidade roubada

Através de depoimentos de moradores e entrevistas com especialistas, “Recife, Cidade Roubada” conta a história do projeto Novo Recife desde o momento em que o terreno localizado no Cais José Estelita foi vendido para um consórcio de construtoras, até os desdobramentos sociais que a iminência dessa construção gerou na cidade, através da ação dos recifenses no movimento #OcupeEstelita. (Catraca Livre)

O curta tem apresentação do ator Irandhir Santos e contou com participações de nomes como Kléber Mendonça Filho, Luana Varejão, além de moradores do Coque, nos arredores do Cais José Estelita.

A direção do filme é de Ernesto de Carvalho, Leon Sampaio, Luís Henrique Leal, Marcelo Pedroso e Pedro Severien.
descascando a superficie (1)Descascando a superfície

Intervenção artística no Morro da Providência (Rio de Janeiro), primeiro espaço a ter a denominação de Favela. Ao longo de 1 mês foram cravados 7 rostos de moradores do morro e região.

Ao cravar os retratos nas casas ou no que restava delas, VHILS criou uma representação simbólica de suas vidas, de modo a preservar a memória individual e coletiva dos moradores e da comunidade. “Cravou-se a história no que dela resta.”

Direção : João Pedro Moreira | Realização: 78 Rotações e VHILS Studio

Artigo: Quem são mesmo os invasores?

paineiras

Clube Paineiras do Morumby, um dos invasores de áreas públicas em São Paulo

Na próxima quinta-feira, dia 11, às 19h, acontece na vigésima edição do Roosevelt Livre a aula pública “SP em Movimento: Experiências de Luta pelo Direito à Cidade”, com Guilherme Boulos, coordenador nacional do Movimento dos Trabalhadores Sem Teto, o MTST. O evento será uma oportunidade de discutir ideias como as apresentadas no artigo abaixo, no qual denuncia a rapidez dos governos, da justiça e da polícia em combater as ocupações populares e a letargia dos mesmos com ações similares realizadas por grandes empresas, bancos e clubes em São Paulo. Confira:

 

Quem são mesmo os invasores?

Por Guilherme Boulos

publicado em seu blog na Folha de S. Paulo, em 22/08/2014
Não vamos falar aqui de Pedro Álvares Cabral, muito embora a origem das escrituras de imóveis privados sobre áreas públicas esteja nas capitanias hereditárias dos portugueses. Já faz muito tempo e ninguém mais se interessa pelo assunto.

O que gera furor é quando os sem-teto descamisados ocupam áreas ou edifícios ociosos para poderem ali morar. É um ataque ao direito e à lei. Onde já se viu, invadir o que é dos outros? Forma-se então uma “Santa Aliança” entre promotores, o Judiciário e políticos de plantão em defesa do Direito à Propriedade.

“Invadiu, tem que ‘desinvadir’!”, disse certa vez o governador de São Paulo para delírio da elite paulista.

Pois bem, é preciso ser coerente. Invadiu, tem que “desinvadir”? Vamos lá então. Apenas na cidade de São Paulo as áreas públicas invadidas ou com concessão de uso irregular para a iniciativa privada representam mais de R$ 600 milhões de prejuízo anual para o poder público.

A CPI das áreas públicas de 2001 mostrou que as 40 maiores invasões privadas representavam na época 731 mil m² de área.

E quem são os invasores?

Comecemos pelo setor de divertimentos. Os clubes Pinheiros, Ipê, Espéria, Paineira do Morumby e Alto de Pinheiros estão total ou parcialmente em áreas públicas e com cessão de uso irregular. Invadiu, tem que “desinvadir”! Cadê a bomba de gás na piscina do Morumbi?

Ah sim, isso sem falar no Clube Círculo Militar de São Paulo e no Clube dos Oficiais da Polícia Militar. E aí, quem topa despejar?

E os shoppings então… Os shoppings Continental, Eldorado e Center Norte invadiram expressamente áreas públicas, especialmente em suas zonas de estacionamento. No caso do Center Norte o abuso é gritante. A invasão foi legitimada pelo Judiciário, o que segundo o relatório da CPI configurou uma “decisão inusitada, inédita e revestida de ilegalidades que prejudicam o município”.

Ué, o Judiciário legitimou invasão?! Cadê o direito à propriedade? No caso, ainda mais grave, trata-se de propriedade pública.

Compreensível, na medida em que a Apamagis (Associação Paulista dos Magistrados) está sediada numa área pública, com irregularidades na cessão de uso, no bairro nobre do Ibirapuera. E aí, não vai ter bala de borracha nos ilustríssimos juízes?

Querem mais? As agências do Bradesco na praça Panamericana e no Butantã invadiram áreas públicas em seus empreendimentos. O mercado Pão de Açúcar, na mesma praça Panamericana, e o Extra da avenida Juscelino Kubitschek fizeram o mesmo. Assim como as faculdades privadas Unisa e Unip Anchieta.

Por sua vez, o Itaú Seguros e a Colgate-Palmolive foram denunciados pela CPI de 2001 por concessão de uso irregular de áreas públicas.

Outro caso escandaloso é o da Casa de Cultura de Israel, ao lado do metrô Sumaré. Não satisfeitos em invadir o território palestino, os israelenses resolveram também tomar área pública em São Paulo. Tiveram concessão de uso de área pública e não cumpriram com termos e prazos.

E aí, governador: Invadiu, tem que “desinvadir”! Cadê a tropa de choque para despejar essa turma toda?

E ao Judiciário paulista, tão rápido em conceder liminar de reintegração de posse contra as ocupações de sem-teto, onde está o mandado contra os clubes, os shoppings e os bancos?

Neste momento há mais de 25 ordens de despejo contra ocupações de sem-teto só no centro de São Paulo. Nas periferias são outras tantas. Várias foram cumpridas nas últimas semanas, normalmente com truculência policial, como a da rua Aurora, quando o advogado Benedito Barbosa da Central de Movimentos Populares foi agredido e preso abusivamente.

Também neste momento mais de 8.000 famílias sem teto, de ocupações da região do Isidoro, em Belo Horizonte, estão à beira de serem jogadas violentamente na rua. A PM mineira está preparando uma operação de guerra, que pode vir a ter consequências trágicas nos próximos dias.

E então? Querem defender o direito à propriedade acima do direito à vida? Defendam, mas sejam ao menos coerentes. Despejem primeiro os bancos, mercados, shoppings e clubes em áreas públicas para depois virem falar da legitimidade de despejar trabalhadores sem teto.

 

Coletivo Arrua é contra o aumento da tarifa do transporte público

Nos últimos dias circulou na imprensa a informação sobre um possível aumento nas tarifas do transporte em São Paulo. O Coletivo Arrua, que ocupa uma cadeira no Conselho Municipal de Transporte e Trânsito (CMTT), com a ativista, Babi Lopes, é contrário ao aumento de passagem dos ônibus, do metrô e dos trens da CPTM.

Opinião que foi expressa na reunião do CMTT, realizada nesta quinta, dia 04/12/2014.

As manifestações de junho de 2013 derrubaram o aumento no ano passado, a oportunidade serviu para a abertura do diálogo sobre o transporte público e a questão da mobilidade urbana em SP e em todo o Brasil. A força de junho empurrou também a Prefeitura a acelerar a implementação das faixas exclusivas, corredores de ônibus e de uma vigorosa política de ciclovias.

O prefeito Fernando Haddad se comprometeu com a realização de uma profunda auditoria no sistema de ônibus, que tem previsão de ser apresentada ainda este ano. Acreditamos que qualquer debate sobre reajuste tarifário só deva ocorrer, após a ampla divulgação e escrutínio da auditoria, e principalmente com a realização da discussão pública sobre quais caminhos a cidade deve seguir para financiar seu sistema de transportes.

E o que é esse tal de direito à cidade?

direitoacidade“Vivemos numa época em que os ideais de direitos humanos tomaram o centro do palco. Gasta-se muita energia para promover sua importância para a construção de um mundo melhor. Mas, de modo geral, os conceitos em circulação não desafiam de maneira fundamental a lógica de mercado hegemônica nem os modelos dominantes de legalidade e de ação do Estado. Vivemos, afinal, num mundo em que os direitos da propriedade privada e a taxa de lucro superam todas as outras noções de direito. Quero explorar aqui outro tipo de direito humano: o direito à cidade.”

Baixe e leia o artigo O direito à cidade de David Harvey publicado na Revista Piauí, em julho de 2013.

E participe no próximo dia 11 de dezembro, às 19 horas, na Praça Roosevelt, da aula pública com Guilherme Boulos, do Movimento dos Trabalhadores Sem Teto (MTST). Confirme presença aqui!

Vitória! Rede de #Busão24h começa a circular no começo de 2015

JpegUma das principais bandeiras do Coletivo Arrua, o #Busão24h, vai virar realidade em SP a partir do começo de 2015. A previsão da SPTrans é que 800 mil pessoas utilizem os ônibus noturnos, beneficiando os trabalhadores da noite e as pessoas que pretendem desfrutar da cena cultural da cidade, em particular os jovens.

Confira matéria publicado no SpressoSP:

 

Ônibus da madrugada vão começar a rodar no começo de 2015 em São Paulo

Prefeitura quer que os coletivos circulem com intervalo máximo de 15 minutos. 800 mil pessoas devem se beneficiar com a medida

Por Redação

No começo de 2015, ainda sem data prevista, deve começar a circular, em São Paulo, uma rede de ônibus somente para a madrugada. Ao todo, 800 mil paulistanos devem se beneficiar com a medida.

Com a instalação da rede de ônibus, a Prefeitura acredita que pode haver uma ampliação na oferta de serviços na cidade entre 0h e 4h40. De acordo com SPTrans, haverá um acréscimo de 30% no total de usuários do transporte público durante a madrugada.

O intuito é que os ônibus tenham um compromisso estreito com o intervalo de horário, que deve ser de 15 minutos, entre um coletivo e outro. A rede será dividida em dois modelos, os itinerários estruturais e as linhas locais. A primeira percorrerá as estações do Metrô e os corredores de ônibus, enquanto que a segunda trafegará por dentro dos bairros.

A população será informada dos ônibus da madrugada através de campanhas de panfletagem e folhetos fixados dentro dos coletivos. Ao todo, 140 linhas deve integrar a rede.

O projeto será entregue com atraso, pela Prefeitura, que o havia prometido para o primeiro semestre de 2014. Porém, desde o começo do ano, já circula, em São Paulo, um projeto experimental com 12 linhas que circulam durante a madrugada.

 

Festival das Liberdades: menos ódio, mais direitos

10805714_1493968010863768_8909975800039268496_nUma das marcas do segundo turno das eleições deste ano foi o ódio destilado por uma parcela conservadora da população. Este ódio foi destinado aos mais pobres, à esquerda, aos progressistas, às conquistas sociais e às liberdades.

Nas urnas o povo disse não ao retrocesso e nas ruas, com alegria e festa, vamos pedir: menos ódio e mais direitos!

Venha participar do Festival das Liberdades, neste sábado, 15/11, a partir das 13h, no Largo São Francisco. Shows, intervenções e debates. Confirme presença.

Mais Cultura, Menos Polícia

Por um Centro de Arte de Rua na Praça Roosevelt

Assine a petição online, aqui rl-praca

Desde sua inauguração, na década de 60, a praça Roosevelt tem sido cenário de intensa efervescência artística, cultural e política. Localizada em um ponto estratégico da cidade foi, durante a ditadura, palco de encontros e resistência contra o autoritarismo, se constituindo como um símbolo da liberdade e luta política.

Recentemente, durante as jornadas de junho de 2013 essa vocação confirmou-se mais uma vez: a praça foi palco de momentos decisivos das manifestações, como o ato do dia 13 de junho, marcado por intensa violência policial que gerou um rastro de indignação e solidariedade, intensificando a presença nas ruas. A praça também tem sido palco para a denúncia de das prisões arbitrárias de manifestantes, recebendo como resposta mais repressão, com o sitiamento e novas prisões.

Em uma cidade tradicionalmente marcada pela valorização do privado, do individual, da exclusão e do cinza, a praça Roosevelt é um oásis no meio do concreto: um amplo espaço público ocupado permanentemente por uma pluralidade de atores e de usos. Além da vocação política e cultural, nela também se encontram pessoas de todos os cantos de SP para se socializar, se reunir, praticar skate e celebrar etc.

Porém, neste momento, esse caráter pode estar ameaçado. Há o anúncio da instalação de uma base da Polícia Militar. Essa proposta conta ainda com o apoio de parte dos moradores conservadores da região, organizados no chamado Polo Roosevelt, que entendem que o local é um quintal de suas casas e que a diversidade é uma ameaça, reivindicando inclusive o fechamento da praça com cercas, a retirada dos skatistas e a criminalização do uso do espaço público.

Além da Roosevelt já possuir uma base da GCM, a instalação da PM vem na esteira de uma série de acontecimentos que apontam para o embrutecimento da relação do Estado com a sociedade, com crescente cerceamento das liberdades civis.

Pensando nisso, todas as quintas, nós, dos coletivos Arrua e Advogados Ativistas, temos organizado os encontros “Quinta da Resistência na Roosevelt Livre”, com atividades culturais e políticas que buscam garantir que a praça continue sendo um espaço de promoção da convivência dos diferentes e da cidadania.

Em oposição a uma base da PM, propomos a destinação daquele prédio para um Centro de Arte de Rua, abrindo espaço para que coletivos da cidade façam experimentações, trocas e ações educativas.

Com produção permanente que dialogue com a cultura do skate, do grafite, do Hip Hop, do teatro, dos artistas de rua e das mais variadas formas de inserções e atuações no espaço público. No lugar do patrulhamento da vida defendemos a promoção e o apoio à cultura popular que pulsa cada vez mais nas ruas.

Acreditamos que a Prefeitura de SP deve abrir imediatamente o diálogo com a cidade para discutir conjuntamente com aqueles que têm a Roosevelt como referência qual será destinação deste espaço.

Queremos fazer da ROOSEVELT uma praça realmente LIVRE!

Queremos uma cidade que não confunda segurança com esvaziamento, que não trate limpeza como higienismo, que não entenda tranquilidade como silêncio, onde não impera o cinza, mas sim o colorido da arte e do encontro. Roossevelt Livre expressa uma cidade livre. A praça é do povo.

 

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#WikiPraçaSP no Largo do Arouche

Mais uma iniciativa de ocupação do espaço público na cidade de São Paulo, desta vez no Largo do Arouche.wiki-praca

O Wiki Praça SP é um projeto que pretende conectar pessoas e idéias no largo do Arouche de São Paulo e criar ambientes de encontro. A #Wikipraça criará um processo aberto, um protocolo de ações, ferramentas digitais e processos colaborativos para ocupar o território e reforçar as relações das diferentes comunidades do Largo do Arouche. A #Wikipraça levará as dinâmicas participativas do mundo digital ao território. O fluxo também será do território à Internet.

Organizado por diferentes atores, coletivos e movimentos de São Paulo, fruto de uma parceria entre a rede Futura Media e a Prefeitura de Sao Paulo. A Wikipraça é um processo aberto a participação de todos e todas, e já conta com alguns parceiros como o Lab.E, Cidades Emocionais, Ônibus Hacker, Casa da Lapa e Casa Rodante e Casa de Cultura Digital, entre outros.

O projeto incentivará a co-criação e ressignificação do território com encontros, mapeamentos, oficinas, intervenções artísticas, bate papos e aulas públicas, entre outras ações, no Largo do Arouche, em São Paulo. Usando ferramentas e processos colaborativos (digitais e analógicos), buscaremos conectar pessoas e idéias, para reforçar as relações das diferentes comunidades do território.

Saiba mais em: http://wikipraca.org/