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Aula Pública sobre direito a cidade com Guilherme Boulos

Mesmo com chuva, foi muito boa a aula pública: SP em Movimento: experiências de luta pelo direito à cidade, com Guilherme Boulos, do MTST. Abaixo, você pode assistir o vídeo da transmissão ao vivo.

Confira abaixo a lista de vídeos exibidos:

Quem manda na cidade?

Descascando a superfície

Criolo no Ocupe Estelita – Sangue no Cais

Recife, cidade roubada

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Economistas pelo desenvolvimento e pela inclusão social

manifesto-economistasUm grupo de economistas lançou um manifesto no Avaaz (clique aqui para assinar) no qual questionam o mantra ortodoxo do mercado, da oposição derrotada nas urnas e da grande imprensa no qual a “austeridade fiscal e monetária, exigindo juros mais altos e maior destinação de impostos para o pagamento da dívida pública”. Segundo o texto “este tipo de austeridade é inócuo para retomar o crescimento e para combater a inflação”.

Para os economistas, é necessário “manter taxas de juros reais em níveis baixos e anunciar publicamente um regime fiscal comprometido com a retomada do crescimento, adiando iniciativas contracionistas”.

Confira a íntegra do texto:

 Economistas pelo desenvolvimento e pela inclusão social

A campanha eleitoral robusteceu a democracia brasileira através do debate franco sobre os rumos da Nação. Dois projetos disputaram o segundo turno da eleição presidencial. Venceu a proposta que uniu partidos e movimentos sociais favoráveis ao desenvolvimento econômico com redistribuição de renda e inclusão social. A maioria da população brasileira rejeitou o retrocesso às políticas que afetam negativamente a vida dos trabalhadores e seus direitos sociais.É de se esperar que o pluralismo de opiniões fortaleça nossa democracia depois da pugna eleitoral.

Desde 26 de outubro, contudo, a difusão de ideias deu a impressão de que existe um pensamento único no diagnóstico e nas propostas para os graves problemas da sociedade e da economia brasileira.

Sem o contraponto propiciado pela campanha e pelo horário eleitoral gratuito, os meios de comunicação propagaram quase exclusivamente a opinião que a austeridade fiscal e monetária é a única via para resolver nossos problemas.

Isto vai na contramão da opinião de economistas de diferentes matizes no Brasil, mas reverbera o jogral dos porta-vozes do mercado financeiro. Estes defendem solucionar a desaceleração com a “credibilidade” da adesão do governo à austeridade fiscal e monetária, exigindo juros mais altos e maior destinação de impostos para o pagamento da dívida pública, ao invés de devolvê-los na forma de transferências sociais, serviços e investimentos públicos.

Subscrevemos que este tipo de austeridade é inócuo para retomar o crescimento e para combater a inflação em uma economia que sofre a ameaça de recessão prolongada e não a expectativa de sobreaquecimento.

O reforço da austeridade fiscal e monetária deprimiria o consumo das famílias e os investimentos privados, levando a um círculo vicioso de desaceleração ou mesmo queda na arrecadação tributária, menor crescimento econômico e maior carga da dívida pública líquida na renda nacional.

Entendemos que é fundamental preservar a estabilidade da moeda. Também somos favoráveis à máxima eficiência e ao mínimo desperdício no trato de recursos tributários: este tipo de austeridade, sim, denota espírito público e será sempre desejável. Rejeitamos, porém, o discurso dos porta-vozes do mercado financeiro que chama de “inflacionário” o gasto social e o investimento público em qualquer fase do ciclo econômico.

Tampouco compreendemos o argumento que associa a inflação ao gasto público representado por desonerações que reduzem custos tributários e subsídios creditícios que reduzem custos financeiros. A inflação, aliás, manteve-se dentro da meta no governo Dilma Rousseff a despeito de notáveis choques de custos como a correção cambial, o encarecimento da energia elétrica e a inflação de commoditiesno mercado internacional.

A austeridade agravou a recessão, o desemprego, a desigualdade e o problema fiscal nos países desenvolvidos mesmo tendo sido acompanhada por juros reais baixíssimos e desvalorização cambial.

No Brasil, a apreciação cambial estimulada por juros reais altos aumenta o risco de recessão, ao acentuar a avalanche de importações que contribui para nosso baixo crescimento.

É essencial manter taxas de juros reais em níveis baixos e anunciar publicamente um regime fiscal comprometido com a retomada do crescimento, adiando iniciativas contracionistas, se necessárias, para quando a economia voltar a crescer.A atual proporção da dívida pública líquida na renda nacional não é preocupante em qualquer comparação internacional.

O que nos preocupa é a possibilidade de recessão e a carência de bens públicos e infraestrutura social reclamada pela população brasileira. Atendê-la não é apenas um compromisso político em nome da inclusão social, é também uma fronteira de desenvolvimento, estímulo ao crescimento da economia e em seguida da própria arrecadação tributária.

Esta opinião divergente expressa por parte importante dos economistas brasileiros não pode ser silenciada pela defesa acrítica da austeridade, como se o mantra que a louva representasse um pensamento único, técnico, neutro e competente. Um dos vocalizadores desse mantra chegou a afirmar que um segundo governo Dilma Rousseff só seria levado a caminhar em direção à austeridade sob pressão substancial do mercado, o que chamou de “pragmatismo sob coação”.

Esperamos contribuir para que os meios de comunicação não sejam o veículo da campanha pela austeridade sob coação e estejam, ao contrário, abertos para o pluralismo do debate econômico em nossa democracia.

Maria da Conceição Tavares (UFRJ)
Luiz Gonzaga Belluzzo (UNICAMP e FACAMP)
Ricardo Bielschowsky (UFRJ)
Marcio Pochmann (UNICAMP)
Pedro Paulo Zahluth Bastos (UNICAMP)
Rosa Maria Marques (PUC-SP)
Alfredo Saad-Filho (SOAS – Universidade de Londres)
João Sicsú (UFRJ)
Maria de Lourdes Mollo (UNB)
Vanessa Petrelli Corrêa (UFU)
Carlos Pinkusfeld Bastos (UFRJ)
Alexandre de Freitas Barbosa (USP)
Lena Lavinas (UFRJ)
Luiz Fernando de Paula (UERJ)
Hildete Pereira Melo (UFF)
Niemeyer Almeida Filho (UFU)
Frederico Gonzaga Jayme Jr. (UFMG)
Jorge Mattoso (UNICAMP)
Carlos Frederico Leão Rocha (UFRJ)
Rubens Sawaya (PUC-SP)
Fernando Mattos (UFF)
Pedro Rossi (UNICAMP)
Jennifer Hermann (UFRJ)
André Biancarelli (UNICAMP)
Bruno De Conti (UNICAMP)
Julia Braga (UFF)
Ricardo Summa (UFRJ)
William Nozaki (FESP)

 

No segundo mandato de Dilma a ordem é lutar por mais mudanças, para começar: democratização da mídia

dilmavez

Na próxima quinta-feira, dia 30 de outubro, o Roosevelt Livre #16 é de festa e de luta.

Festa para comemorar a vitória do povo nas urnas e a derrota do conservadorismo, da direita e das mentiras da Veja e da grande mídia.

E luta, porque temos a certeza que as mudanças só ocorrerão com pressão nas ruas e nas redes. Para começar, acreditamos ser mais do que nunca necessário colocar no centro da discussão sobre a democratização dos meios de comunicação.

Democratiza Dilmavez!

O fim do monopólio, da propriedade cruzada, a regulamentação econômica, o direito de resposta, entre outros, são temas que acreditamos que devam ser tratados pelo novo governo Dilma.

Nesta quinta-feira, a partir das 19h, estaremos na Praça Roosevelt discutindo estes temas! Confirme presença no face

Arrua no Conselho de Transportes

O Coletivo Arrua está participando do Conselho Municipal de Transporte e Trânsito, comigo (Bárbara Lopes) e com o André Esteves Cardozo de Mello, do CA XI de Agosto, na cadeira do centro expandido.

Amanhã, dia 30/7, haverá mais uma reunião do Conselho. Na pauta, uma apresentação do Sindicato de Empresas de Transporte de Passageiros por Fretamento e para Turismo sobre o Plano de Mobilidade Urbana. Mas há também um momento de Palavra Livre. A reunião é aberta para todos os interessados e vai ser das 8h30 às 11h na Biblioteca Mario de Andrade.

Apesar do pouco tempo, a nossa campanha para a eleição do Conselho foi um momento muito rico de conversas sobre a mobilidade em São Paulo, com a defesa do transporte público e da necessidade de transparência para desonerar esse custo da população. Nossa plataforma está aqui. Por isso, queríamos convidar a todas e todos para contribuir também com a nossa participação. Quer mandar um recado para a Secretaria de Transportes?

Na reunião passada, foi apresentado o plano para as ciclovias na cidade. Muitas já estão sendo executadas. Esta reunião de amanhã pode ser também um bom momento para dar um feedback sobre a implementação. O espaço do Conselho também é uma oportunidade para que os usuários possam opinar sobre a revisão das linhas de ônibus, que causou alguma confusão no começo – e agora, como está?

Convido todos para a reunião de amanhã e também para deixar nos comentários opiniões, reclamações e sugestões.

As garantias que a Internet precisa para ser livre

Veja o infográfico sobre o Marco Civil da Internet

Você que lê este texto está conectado à internet. Ou, certamente, a maioria de quem teve, tem e terá contato com ele o fará por meio da rede. É possível que alguém imprima o texto, mas pouco provável. Isso significa que a informação que é trocada aqui é produzida, armazenada, consumida e reciclada em um ambiente digital, condição que se repete para uma quantidade imensurável de conteúdo.

Um fluxo de dados desse adquire uma importância tal para a estrutura da sociedade como um todo que demanda que uma série de dificuldades seja enfrentada. A garantia da privacidade do usuário é uma delas. Os dados sigilosos de pessoas que estão cadastradas em sistemas de bancos, de redes sociais, de uma loja online ou da Receita Federal não podem ser acessados por qualquer um, por razões óbvias.

No acórdão que derrubou a Lei de Imprensa (Lei nº 5250/67), criada na época do Presidente Costa e Silva, o ministro Carlos Ayres Britto do Supremo Tribunal Federal qualificou a Internet como um “território virtual livremente veiculador de ideias e opiniões, debates, notícias e tudo o mais que signifique plenitude de comunicação”. As manifestações que começaram com a reivindicação da redução das tarifas em todo o Brasil são o exemplo mais próximo e concreto da força que a web tem para mobilizar e organizar a sociedade civil.

As possibilidades que surgem para o fortalecimento de um regime democrático são várias, mas para isso acontecer é preciso a plena liberdade de expressão e, além dela, a garantia de que todos usuários possam ter acesso a tudo aquilo que é público sem precisar de alguma credencial ou pagar mais por isso. É esse o conceito de neutralidade da rede: a ideia de que não será prerrogativa das empresas — o qualquer outra entidade — que franquiam o acesso à Internet escolher o que o usuário poderá ou não acessar. Não poderão, por exemplo, fazer acordos com outras empresas como o Facebook e grandes veículos de imprensa para que o acesso a esses conteúdos sejam mais baratos do que outros. Um blog independente deve estar tão acessível quanto os portais das Organizações Globo.

No Congresso Nacional circula o projeto de lei nº 2.126/2011, conhecido como Marco Civil da Internet, que estabelece princípios, garantias, direitos e deveres para o uso da Internet no Brasil. O projeto foi escrito colaborativamente por meio de um site, com participação ampla da sociedade organizada e garante a privacidade do usuário e a neutralidade da rede. Entretanto, sua votação já foi adiada algumas vezes e há pressão das empresas de telecomunicações no Legislativo para que o projeto seja alterado no sentido de fragilizar as garantias dos usuários.

Graças às recentes denúncias de que o governo dos Estados Unidos estavam espionando o governo brasileiro e empresas como a Petrobras, a presidenta Dilma Rousseff fez essa semana um pedido de urgência na votação do Marco Civil da Internet. O pedido foi aceito e agora a Câmara dos Deputados e o Senado terão, cada um, 45 dias para votar o projeto.

Internet tipo NET?!

tiponet_v3Por Everton Rodrigues e Rafael etc

A Internet nasceu livre e aberta. Apesar de pagarmos aos provedores pelo acesso, não temos limite (além dos estabelecidos em lei) sobre o que fazemos ou sobre o conteúdo que acessamos. O que fazemos na rede é mediado pelas mesmas regras a que estamos sujeitos em nossas relações presenciais. No entanto, aqui no Brasil, a Internet como conhecemos até agora está sob ataque.

Empresas de telecomunicações (Oi, Vivo, Tim, Claro, Globo, NET, Telefônica!?), trabalham, por meio de lobistas que atuam no Congresso Nacional, para modificar o projeto de lei do Marco Civil da Internet (PL 2126/2011), elaborado com ampla participação da sociedade organizada.  Elas querem acabar com a neutralidade, que atualmente garante a liberdade de acesso a qualquer tipo conteúdo, e com a privacidade do usuário, o que permitiria que nossos dados pessoais sejam vendidos a terceiros.

Essas empresas querem que a nossa Internet seja tipo NET ou tipo Sky: anseiam que paguemos, não só pelo acesso, mas também, pelo tipo de conteúdo que queremos produzir ou acessar na web. Se isso acontecer, o que você poderá acessar, produzir e transmitir será limitado/filtrado pela empresa que fornece sua conexão. Por exemplo, poderemos assinar um plano que nos dará acesso mecanismos de busca e redes sociais, como o Google e o Facebook, mas não a serviços de transferência de arquivo peer to peer, como os torrents. Pagaríamos, dessa forma, um valor específico de acordo com o tipo de uso que queremos fazer da rede – da mesma forma que funcionam os pacotes de TV a cabo.

As mobilizações que vêm tomando as ruas e a Internet desde junho nos mostraram que as pessoas querem exercer seu direito de protestar. Uma quantidade enorme de pessoas foi atingida por essa onda graças à liberdade de acessar e transmitir informações por meio da Internet. Por isso, é de extrema importância que a nossa luta defenda a neutralidade e a privacidade na rede. Sem neutralidade, não poderemos acessar ou transmitir livremente qualquer conteúdo. Sem privacidade, seremos eternamente vigiados por entidades motivadas por interesses comerciais e políticos.

Eles poderão frustrar todas as redes e movimentos sociais que conseguem se articular melhor graças a Internet. Não vamos permitir que ela deixe de ser um território de livre circulação! Participe da “Intervenção: pelo Marco Civil da Internet, Já!”, na próxima segunda-feira (02/09).

Veja aqui o evento no Facebook: https://www.facebook.com/events/524457530968209/?fref=ts

Curta a FanPage: https://www.facebook.com/pages/Marco-Civil-J%C3%A1/150153841849580

Leia também a entrevista de Sérgio Amadeu: http://www.redebrasilatual.com.br/revistas/86/a-liberdade-e-coletiva-4592.html

Estéticas das Periferias 2013

Por Larissa Silva

Vem aí o Estéticas das Periferias 2013, em sua terceira edição o encontro (antes seminário) tem seu formato ampliado e com maior abrangência nas periferias da capital.

Estéticas das Periferias

O debate acontecerá em diversas rodas de conversas espalhadas pela cidade, incluindo programações culturais, shows, exposições, saraus, teatros e literatura. O hip hop tem um papel importante no encontro, fortalecendo o debate sobre a arte nas margens da cidade e a distância, não só física, mas também  social, que existe entre a periferia e o centro. Como diz os Racionais MC’s: “Só quem é de lá sabe o que acontece”.

O encontro tem a intenção de mostrar e discutir a arte que é produzida às margens do centro da cidade. Idealizado pelo Ação Educativa e com curadoria coletiva, essa edição terá como foco os processos criativos, o percurso imaginativo que dá sentido às obras de arte produzidas nas quebradas. A programação será orientada por quatro eixos principais: culturas negras, direito à cidade, produção e difusão cultural e cultura de paz.

É importante pensarmos no valor social e cultural que desse encontro. Enquanto as principais produções culturais se destacam no centro da capital, o Estéticas das Periferias leva um circuito cultural por toda cidade de São Paulo, alcançando as regiões marginalizadas e colocando em evidência a arte que é produzida por artistas independentes — que não estão sob o olhar da grande mídia.

Para Leonardo Escobar, do Ministério do Samba, que está presente pelo segundo ano consecutivo no encontro, “o Estéticas das Periferias é um momento de resistência, valorização e exaltação da arte feita nas periferias, pois põe em debate os temas mais relevantes, sobretudo para a cultura periférica. Esse ano, a construção coletiva do encontro envolveu os artistas, produtores e representantes dos espaços em um movimento de muita participação e solidariedade”.

Com mais de 150 atrações culturais, o evento tem abertura dia 27 de agosto no Auditório do Ibirapuera, com o espetáculo Orfeu Mestiço, Uma Hip Hópera Brasileira – Núcleo Bartolomeu de Depoimento, com referências de danças populares e da dança de rua, sob o comando da coreógrafa Lua Gabanini e cenografia de Daniela Thomas, participação especial de Jair Rodrigues, Kiko Dinucci, Juçara Marçal, Clarianas e Bloco Afro Ilú Obá De Min. E o encerramento será dia 01 de setembro com o show do Ministério do Samba, Dos Tambores ao Toca Discos – Erry-G e Osvaldinho da Cuíca no Parque Belém.

Confira a programação no site do evento: www.esteticasdaperiferia.org.br/2013

O beijo do Sheik e a homofobia latente do futebol

Por Marcelo Hailer

Domingo (18), o jogador do Corinthians, Emerson Sheik, para comemorar a vitória de seu time sobre o Coritiba, postou uma foto dando um selinho em seu amigo, o chef de cozinha Isaac Azar, dono do bistrô Paris 6. As reações foram imediatas e, claro, revelaram algo que todos estão carecas de saber: que o futebol (não apenas ele) é uma arena profundamente machista e homofóbica. E prova disso foi o ato de cinco torcedores que foram hoje (19) na porta do Centro de Treinamento do Corinthians carregando faixas com os seguintes dizeres:  “Viado não!”; “P.Q.P… Aqui é lugar de homem”.

As palavras escritas nas faixas dos torcedores da Camisa 12 apenas deixam claros marcadores comuns do mundo futebolístico, mas podem ser estendidas: o de que o futebol é o lugar do “homem de verdade” (macho, ativo, reprodutor e heterossexual) e não lugar dos viados (que não são considerados “homens”) e também não é o lugar de mulheres, visto que o machismo impera dentro e fora do campo. E para isso basta ver o “destaque” que se dá ao futebol feminino, tanto por parte dos clubes como por parte dos meios de comunicação especializados.

beijosheik

Mas antes de avançarmos é interessante nos determos a algumas declarações dadas pelos “manifestantes”. Ao UOL Esporte, Marco Antônio, membro da diretoria da Camisa 12, declarou o seguinte: “A nação inteira está freneticamente indignada. Pode até ser a opção dele, mas nós estamos sempre tirando sarro dos bambis (modo pejorativo com o qual é chamada a torcida do São Paulo). O mínimo que ele tem de fazer é um pedido de desculpas”. Disse mais: “A gente não quer ser homofóbico, mas tem de ter respeito com a camisa do Corinthians. Aqui não vai ficar beijando homem. Hoje são 5, amanhã são 30 e depois 300. Vamos fazer a vida dele um inferno”.

A declaração do membro da diretoria da Camisa 12 ao UOL Esporte só não é crime por que a PLC 122/2004, que tramita há nove anos no Congresso Nacional, ainda não foi aprovada, visto que a homofobia não é exclusividade do mundo futebolístico: ela também está alojada no Congresso com inúmeros representantes que declararam guerra aos direitos civis das pessoas LGBT e das mulheres.

Esse grupo, que defende o direito de ofender os seus adversários com expressões que remetem à homossexualidade e à passividade (seja masculina ou feminina), representa, infelizmente, uma boa parcela das torcidas do Brasil e não apenas a corintiana. Interessante seria (e até mesmo paradigmático) se outras torcidas, do Corinthians ou não, declarassem apoio ao jogador. Mas isso é utópico, visto que nenhum jogador ou torcida quer estar associado à homossexualidade. Um selinho para criar novos paradigmas?

…e os homofóbicos de plantão

Se por um lado o selinho de Sheik em seu amigo desnudou completamente a homofobia latente do mundo esportivo, por outro pode ser uma grande oportunidade para os dirigentes dos clubes, para o Ministério do Esporte e até mesmo as torcidas repensarem suas posturas e deixarem para trás esta pedagogia do ódio escamoteada no mundo esportivo, pedagogia que espanta uma série de jovens ou que faz com que estes, quando ascendem na carreira, vivam as suas sexualidades dissimuladamente.

Devemos nos lembrar que no ano que vem o Brasil vai sediar a Copa do Mundo. Quer melhor momento do que esse para trazer à luz a questão do machismo e da homofobia no mundo do futebol? Se o fatídico selinho incomoda tanto é porque os machos alfas do futebol juravam que suas arenas estariam livres desses “viados”. Na verdade, eles dissimulam tal questão, pois sabemos que o mundo futebolístico, assim como qualquer outro que envolva corpos desejantes, está repleto de sujeitos iguais que se relacionam entre si sexualmente.

Mas as torcidas não estão sozinhas em sua propagação da homofobia. São incentivadas socialmente e também comercialmente. Pois a teoria mais comum que se escuta a respeito de jogadores famosos (mas também de atores, por exemplo) é que, se estes “saem do armário”, nenhuma marca e ou patrocinador vai querer estar associado a um sujeito homossexual e sua carreira vai pro buraco; acreditam que isso prejudica a marca.

Ora, seria muito legal que neste momento algum produto (seus gerentes) declarasse apoio espontâneo ao jogador em questão. Porém, esta lógica perversa (social e comercial) é que faz com que cenas deprimentes como a que aconteceu hoje no CT corintiano se repitam ad eternum.

Radicalizar a democracia e transformar a política: breves impressões sobre as manifestações recentes

Por Gabriel Medina

As recentes manifestações ocorridas no Brasil foram a maior mobilização social ocorrida nas últimas décadas e talvez já tenham superado o movimento dos cara-pintada na campanha Fora Collor. No calor do momento, como se sabe, a compreensão de fenômenos desta natureza torna-se mais complexa, a separação entre novas e velhas formas de mobilização, organização e articulação torna-se mais difícil, daí a importância de um esforço mais concentrado de reflexão, principalmente para que possamos compreender como o potencial gerado pela população nas ruas pode acelerar a velocidade das transformações no país.

As mobilizações foram bastante positivas, chacoalharam toda a sociedade e pressionaram os governos e os parlamentos a darem respostas concretas para as ruas e para as redes. Estamos diante de uma oportunidade para aprofundar as mudanças em curso no Brasil há uma década, portanto, é importante também avaliar as contradições e os desafios impostos a partir desse momento.

Nos últimos anos o projeto democrático e popular provocou profundas transformações: forte crescimento econômico, ampliação do mercado formal de trabalho e fortalecimento do Estado, além de importantes avanços na distribuição de renda e na inclusão social. Este processo fez com que 40 milhões de brasileiros ascendessem socialmente a partir da ampliação do consumo e da renda. Contudo, faltaram políticas estruturantes no campo educacional, da saúde e da cultura, com capacidade de não apenas gerar consumidores, mas cidadãos críticos e ativos.

O crescimento das cidades e das regiões metropolitanas, acompanhado pela especulação imobiliária, pelo modelo rodoviarista e pela ausência da reforma urbana, intensificou os problemas vividos no dia a dia pelos cidadãos. Grandes deslocamentos do trabalho para casa, graves problemas de saneamento, serviços ruins de saúde e educação e ausência de equipamentos culturais e esportivos nas periferias não permitiram uma ampliação da qualidade de vida tal como o esperado. Ou seja, a vida melhorou da porta de casa para dentro, mas piorou da porta de casa para fora.

Portanto, mesmo que com importantes avanços no Brasil, há de sobra motivo para indignação e luta. Fica claro essa afirmação, quando analisamos o início do movimento recente, com a luta pela redução da tarifa dos transportes. O Passe Livre mobilizou-se em torno de uma causa justa: o alto custo do transporte no orçamento das famílias que vivem nas cidades, uma pauta de fácil compreensão e de alto apelo social. O estopim deste processo se deu com a forte repressão policial ocorrida em São Paulo, que sem nenhum controle e com o aval do governador do estado promoveu um show de horrores, iniciado na esquina da Rua da Consolação com a Rua Maria Antônia. Vale destacar: tais práticas violentas são corriqueiras nas periferias, principalmente nos bailes funks.

Entretanto, foi apenas a partir desse episódio, que inclusive atingiu jornalistas da grande imprensa, que as imagens ocuparam os principais veículos de comunicação e geraram um sentimento de solidariedade de milhares de jovens e da sociedade em São Paulo e no Brasil.

Erram aqueles que desqualificam os manifestantes por serem jovens da “classe média” e também aqueles que consideram um movimento conservador e com predominância da direita. É importante recuperar as lutas que promoveram transformações no Brasil como as Diretas Já e o Fora Collor, ambas protagonizadas por jovens de classe média, brancos. No entanto, existe um fenômeno interessante que vale a pena destacar: apesar de elevada escolaridade, em comparação com a maioria da população, a grande maioria dos que foram para as ruas é composta por trabalhadores mais do que por estudantes. Aliás, parte dos manifestantes são jovens que ascenderam socialmente com as políticas do período Lula/Dilma, e que reivindicam novas políticas para que seu direito de acesso à cidadania torne-se também um direito de acesso ao uso democrático das cidades.

Um aspecto que merece grande atenção está no fato de que a grande multidão que veio as ruas não possui representantes tradicionais e intermediários (partidos/organizações/sindicatos/entidades estudantis), trata-se de um contingente que veio para as manifestações a partir de articulações realizadas nas redes sociais. Esse é um fenômeno novo que talvez seja um dos mais difíceis de compreender e por isso tem provocado respostas equivocadas da esquerda, principalmente do PT.

É também verdade que pautas da direita entraram na multidão, contudo, a defesa de saúde e educação de qualidade, assim como transporte público, demonstram que existe uma forte demanda por mais Estado e políticas públicas. Ou seja, existe um desejo pelo aprofundamento das transformações surgindo das ruas e das redes.

Uma das poucas certezas que um momento como esse nos permite apontar está na constatação de que há um clamor popular por modificações no modelo democrático atual, todas as instituições são colocadas em xeque, da esquerda à direita, partidos e movimentos sociais tradicionais estão sob avaliação.

A reação violenta de grupos de direita infiltrados, contrários à presença da esquerda organizada, com forte apoio da massa, assusta e preocupa. Contudo, a resposta me parece bastante diferente do que tradicionalmente a esquerda sugere. Ligar o carro de som e empunhar as bandeiras para disputar o movimento a fim de trazê-lo para a esquerda tem sido uma estratégia bastante usual e muito equivocada, afinal, o cenário pede menos um embate de quem pretende dirigir o movimento e mais a agregação de quem se dispõe a realizar uma efetiva disputa de hegemonia.

No atual momento é preciso desconfiar de todas as fórmulas prontas e receitas velhas conhecidas. Para dialogar com este novo fenômeno, que vem se constituindo há pelo menos 13 anos, é preciso paciência e ousadia. Paciência para compreender uma nova linguagem política. Ousadia para iniciar a auto-crítica acerca de como a acomodação institucional e a burocratização tem limitado a criação de novas respostas, mesmo em partidos sensíveis à voz das ruas como é o caso do PT.

É também muito importante apresentar uma nova agenda para os nossos governos democrático-populares. A reclamação sobre a tarifa dos transportes, o comportamento dos meios de comunicação tradicionais e das novas redes sociais, assim como a insatisfação com relação à classe política nos obriga a pensar, no âmbito federal, em questões fundamentais como a justiça tributária, a democratização da comunicação e a reforma política, e no âmbito municipal nos impõe o desafio de articular respostas que passam, por exemplo, pelas políticas de participação e de juventude. Este é o momento de renovar a esquerda radicalmente.

A juventude que está nas ruas não aceita mais ser representada por este modelo vertical de política, mediado por lideranças burocráticas e/ou com concepções vanguardistas. Essa juventude quer ser ouvida para valer, quer participar da política de verdade. Essa juventude está convocando a sociedade brasileira a construir instituições mais participativas, mais permeáveis e mais transparentes, sua força está na sua pluralidade. Não é possível dirigir e organizar a pauta dessa multidão nos marcos tradicionais da política, o que devemos fazer é nos somar, nas ruas e nas redes, a essa voz coletiva que não quer apenas falar, mas quer sobretudo decidir.

Fonte: http://novo.fpabramo.org.br/content/radicalizar-democracia-e-transformar-politica-breves-impressoes-sobre-manifestacoes-recentes